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GV 100 anos - Histórico

ETEC Getúlio Vargas - 1911-2011 - Ano do Centenário

A Etec "Getúlio Vargas" iniciou suas atividades em 28/09/1911, na Rua Müller, no bairro do Brás, como Escola Profissional Masculina, durante o Governo Estadual de Albuquerque Lins.

No Governo Federal, administrava o país, o então presidente Marechal Hermes da Fonseca.

A verdade é que, desde o Império, o ensino profissionalizante era voltado para o trabalhador e sua família. As escolas profissionais e técnicas, com forte caráter assistencial, forneciam material didático e mantinham uma biblioteca pública. Com o advento da República, observa-se a propagação do ensino primário e profissionalizante por todo o Brasil.

Em 1906, com o presidente Nilo Peçanha, é criada uma rede de 19 escolas de aprendizes-artífices em diferentes capitais. No Estado de São Paulo, nesse período, os grupos escolares se irradiaram para os bairros operários da Luz, Bom Retiro, Brás e Mooca. Às iniciativas do Estado somaram-se as realizações das organizações de trabalhadores, que promoviam uma série de atividades relacionadas à educação profissional, entre 1902 e 1920.

As Escolas Profissionais Feminina e Masculina do Brás foram fundadas no interior desse processo de difusão de estabelecimentos de ensino para os trabalhadores e seus filhos na Primeira República.

Os cursos, que duravam cerca de três anos, eram elaborados com base em aulas teóricas (Português, Geografia, Aritmética, etc.) e práticas, realizadas nas oficinas e ateliês. O desenho constituía o núcleo central do currículo, habilitando o artesão e operário para à execução de projetos e planos.

As Escolas Profissionais Masculina – atual Etec "Getúlio Vargas" - e Feminina – atual Etec "Carlos de Campos" - do Brás, em São Paulo, foram criadas pelo Decreto nº 2118-B, de 28 de setembro de 1911, destinadas ao público infantil (a partir de 12 anos) e adulto. Tratava-se de escolas especializadas no ensino das artes e ofícios, que visavam à formação e à qualificação das camadas populares para o mercado de trabalho na indústria e no comércio.

A Escola Profissional Masculina preparava os rapazes para as artes industriais: marcenaria, serralheria, pintura, mecânica e outras. As moças recebiam formação na Escola Profissional Feminina.

Em 1914, formava-se a primeira turma de concluintes. Durante aquele momento histórico, São Paulo contava com, aproximadamente, 500 mil habitantes. Deixava de ser um Estado apenas agrícola e iniciava seu processo de industrialização.

Entre 1915 e 1930, acompanhando as necessidades provenientes do desenvolvimento urbano e industrial, a Escola qualifica profissionais, em sua maioria, para o ramo metal-mecânico. Em 1917, a Escola é transferida para a Rua Piratininga, nº. 105, no mesmo bairro do Brás. Nesse mesmo ano, em virtude de uma epidemia de gripe, foi obrigada a paralisar suas atividades educacionais por algum tempo, transformando-se em um hospital.

No ano de 1931 foram criados cursos especializados para a formação de mestres, selecionados entre os melhores alunos; e, em 1932, realizou-se a primeira Exposição Anual, evento este mantido até os dias de hoje.

Em pouco tempo, a Escola tornou-se uma instituição de projeção nacional, devido à formação de profissionais de indiscutível competência e de alguns itens de sua produção, como, por exemplo, o primeiro automóvel brasileiro, conhecido como "A Baratinha", em 1917.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a Escola também fornecia caldeirões e granadas, que depois recebiam carga explosiva no Departamento de Química, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

O presidente Getúlio Vargas, que já havia tido sua atenção despertada para a Escola, devido à participação na exposição comemorativa do Centenário da Revolução Farroupilha, em Porto Alegre, visitou-a duas vezes – em 1940 e 1941. Em decorrência disso, no ano de 1941, para homenageá-lo, a Escola teve seu nome mudado para Escola Técnica "Getúlio Vargas".

Acompanhando as variações normativas na organização do ensino profissional, do ano em que foi criada até 1965, a Instituição mudou de nome diversas vezes:

• 1931 – Escola Profissional Masculina
• 1932 – Instituto Profissional Masculino
• 1940 – Escola Técnica "de São Paulo"
• 1941 – Escola Técnica "Getúlio Vargas"
• 1965 – Colégio Industrial Estadual "Getúlio Vargas"

Com a extinção do Departamento de Ensino Técnico do Governo do Estado de São Paulo, em 1971, as escolas técnicas passam para a rede de Ensino Básico da Secretaria de Educação e, em 1972, é instituída a intercomplementariedade na Escola, que passa a se chamar Centro Interescolar de Ensino Técnico.

Em 1976, passa a ser denominada Centro Estadual Interescolar "Getúlio Vargas", e, apenas em 1982, adquire a denominação de ETE "Getúlio Vargas", com a transferência para o Centro Paula Souza.

Dez anos depois, o Centro Paula Souza autoriza o fim da intercomplementariedade e, em 1998, com a promulgação da nova LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, ocorre a separação entre o ensino acadêmico e ensino profissionalizante, dando origem ao tipo de ensino ministrado atualmente: Ensino Médio e Ensino Técnico Modular.

Em Abril de 2007, através de um decreto do então Governador do Estado de São Paulo, Sr. José Serra, as Unidades de Ensino Técnico e Tecnológico do Centro Paula Souza passam a denominar-se ETECs e FATECs, passando a fazer parte de um grande programa de expansão, instituído como meta do Governo do Estado de São Paulo.

Em 2008, houve a necessidade de uma reforma na Unidade, adequando os espaços físicos, que, naquele momento estavam subutilizados, foi possível a construção de duas quadras poli esportivas para realização das aulas de Educação Física, tornando possível, assim, desativar o Centro Esportivo, situado na Rua Frei João e proporcionar aos alunos do Ensino Médio o benefício de cursar em um só endereço todas as aulas, evitando o deslocamento dos mesmos, fato este que acarretava inúmeros problemas.

A atual Etec "Getúlio Vargas" teve, desde então, várias denominações: Escola Profissional Masculina, Escola Profissional e Industrial, Instituto Profissional Masculino, Colégio Industrial Estadual "Getúlio Vargas", Centro Interescolar de Ensino Técnico e Escola Técnica "Estadual Getúlio Vargas". Em 1964, desmembrou-se em três partes: Escola Estadual de Segundo Grau "Martin Luther King" (Tatuapé), Escola Estadual de Segundo Grau "José Rocha Mendes" (Vila Prudente) e Colégio Técnico (Ipiranga). Este último, em 1972, passou a se chamar Escola Técnica Estadual "Getúlio Vargas". A ETE "Getúlio Vargas" passou a integrar o Centro Paula Souza e passou a oferecer cursos técnicos de nível médio em três semestres. Atualmente são oferecidos os seguintes cursos: Ensino Médio, Administração, Automação Industrial, Design de Interiores, Edificações, Eletrônica, Eletrotécnica, Mecânica, Mecatrônica, Meio Ambiente, Nutrição e Dietética, Química e Telecomunicações.

A verdade é que durante todo esse desenvolvimento sempre pensamos nas "memórias" da Instituição. Consideramos que o direito à Memória pertence a todo cidadão e implica no acesso aos bens materiais e imateriais que representam seu passado, sua tradição, sua história. É com a recuperação de sua história, incluindo a apropriação do momento presente, que se constrói a identidade cultural. Enfim, memória pressupõe resgate e preservação do patrimônio e da cultura, visando à formação cultural e à melhoria da qualidade de vida. Baseando-se nesse pressuposto, criou-se o Centro de Memória Espaço Professor Aprígio Gonzaga, da Etec "Getúlio Vargas". Possuímos uma sala destinada à guarda e pesquisa do material documental, referente ao período de 1911 a 1950. O nome "Espaço Professor Aprígio Gonzaga" - é homenagem ao primeiro diretor e fundador do Instituto Profissional Masculino da Capital (primeira denominação da Etec GV). A área de "memórias" é complementada por: arquivos correntes, com documentação da Secretaria Acadêmica e do Departamento de Pessoal, ambos em processo de reorganização e uma Sala de Higienização Documental chamada "Oficina Prof.Zancheta".

O Centro de Memória da Etec "Getúlio Vargas" postula-se um espaço para a nossa comunidade, bem como para pesquisadores de Universidades, Instituições Culturais, de Apoio à Pesquisa, de Organismos relacionados ao Trabalho, entre outros. Foi de grande importância o trabalho realizado pelo Projeto Institucional, que organizou nosso Centro de Memória. Tivemos a oportunidade de resgatar e repensar a história da nossa Escola desde a sua fundação em 1911, até os dias de hoje. Este levantamento, que está disponibilizado à pesquisa, nos fez refletir sobre diversas e importantes questões acerca do papel desta Escola no processo de desenvolvimento da Educação Profissional no Estado de São Paulo e no Brasil.

Este espaço, que neste ano do Centenário está sendo revitalizado, procura reconstruir, analisar e principalmente entender esta história, e é a imensa tarefa em que está colocada, em especial para aqueles que ainda permanecem no chão das oficinas e nas salas de aulas das escolas técnicas. Pensamos que, atuando em nosso cotidiano, enfrentando e resistindo a todos os percalços, poderemos traçar novos caminhos, que venham atender às reais necessidades de um novo tempo e de uma nova Escola.

Neste ano, em que a Etec "Getúlio Vargas" comemora 100 anos de existência, pretendemos fazer deste espaço uma área de referência, à altura de nossa Escola

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